TERESINA - Fortes chuvas continuam caindo em todo o Piauí, ampliando as cidades alagadas no interior, cortando avenidas e desabrigando mais famílias em Teresina. A manhã deste sábado foi tomada pelo desespero de áreas próximas do rio Poty, em Teresina. Doenças em crianças começam a ser registradas nos ginásios e CSUs (Centros Sociais Urbanos) da capital, onde as famílias estão alojadas porque suas casas em vilas e favelas ficaram alagadas.
O secretário de Defesa Civil do Piauí, Fernando Monteiro, informou que três novas cidades estão alagadas e em situação de emergência: em Parnaíba, o segundo maior município do Piauí, 252 famílias estão desabrigadas; em Caxingó, o número de famílias desabrigadas é de 151; e em União mais de 50 famílias perderam suas casas.
Em Teresina, na Vila Mocambinho, na zona norte, está aumentando o número de desabrigados devido ao aumento do nível das águas do rio Poty. Cerca de 80 famílias que perderam suas casas e estão em abrigos disponibilizados pela Prefeitura.
Fernando Monteiro entregou neste sábado, no Armazém da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) de Teresina, alimentos, colchões, lençóis, filtros, travesseiros, filtros, fronhas, mosqueteiros, toalhas de banho e cobertores.
Ele informou que foram atingidas pelas enchentes dos rios e águas das chuvas 371 famílias em Barras, 100 famílias em Batalha; 127 famílias em Cajueiro da Praia; 340 famílias em Campo Maior; 151 famílias em Caxingó; 301 famílias em Esperantina; 110 famílias em Ilha Grande; 82 famílias em Joaquim Pires; 117 famílias em Joca Marques; 186 famílias em Luiz Correia; 100 famílias em Luzilândia; 138 famílias em Miguel Alves; 226 famílias em Parnaíba; 133 famílias em Piracuruca; 1.150 famílias em Teresina; 600 famílias em Santa Filomena; e 58 famílias em União.
Monteiro afirmou que foram contabilizadas 4.290 famílias atingidas pelas enchentes no Piauí.
- Pela primeira vez na história, a Defesa Civil está atendendo imediatamente os municípios que precisam de alimentos a agasalhos para as famílias desabrigadas - falou Fernando Monteiro.
O gerente regional da CHESF ( Companhia Hidro-Elétrica do São Francisco) no Piauí, Aírton de Freitas Feitosa, anunciou que houve redução na liberação das águas da barragem de Boa Esperança, em Guadalupe, no sul do estado, para a bacia do rio Parnaíba, de 1.500 metros cúbicos por segundo para 1.200 metros cúbicos por segundo.
Segundo ele, isso significa que vai diminuir o nível de água no rio Parnaíba, provavelmente na segunda-feira ou terça-feira. Como a Chesf já havia liberado água anteriormente, no domingo o nível das águas do rio Parnaíba, em Teresina deve chegar aos 6,5 metros de altura. Nesta sexta, a altura do rio estava em 6,34 metros. A atual vazão do rio é de 5.538 metros cúbicos por segundo.
Aírton Feitosa informou que a tendência é de regularização da situação das chuvas e enchentes, já que houve redução das chuvas no Ceará e no Maranhão e no Piauí, o Rio Canindé já reduziu sua vazão.
- A tendência é de regularização da situação - declarou Feitosa.
O rio Poty reduziu sua altura em cerca de 1 metro. O rio que antes estava com altura de 9,52 metros está agora com 8,58 metros. A vazão do Poty, que era de 1.829 metros cúbicos por segundo, foi reduzida para 1.542 metros cúbicos por segundo.
Teresina é banhada pelos rios Poty e Parnaíba.
O motorista Luiz Carlos, de Vila Mocambinho, em Teresina, transferiu o aparelho de TV e a geladeira para a casa de um vizinho que a casa não estava atingido e colocou os sofás e outros móveis sobre cadeiras e mesas mais altas para que não fossem destruídos pelas águas do rio Poty.
- As águas continuam avançando nas casas. Estou tirando tudo o que posso para não perder meus móveis - declarou Luiz Carlos.
Moradora da Vila Mocambinho, Francisca Pereira caiu na água quando estava saindo de sua casa para local mais seco e seguro.
- Estou muito nervosa e depressiva com medo do que as águas podem fazer com minhas coisas. Estou já tomando remédios controlados - declarou Francisca Pereira.
No Ginásio Pato Preto, no conjunto Mocambinho, 11 famílias estão alojadas em uma quadra de esportes. Uma menina Greiciele, de 3 anos, estava chorando na manhã deste sábado porque as feridas que apareceram em sua pele estavam doendo muito. Sua mãe, Márcia Maria Vieira de Sousa, mãe de três meninas e um menino, está grávida de oito meses e não teme ter o bebê no abrigo.
- Aqui não é bom, não se tem privacidade, mas o que eu posso fazer - declarou Márcia Maria Vieira, lembrando que o parto está previsto para junho.
Ela não tem pedaços de lonas e plástico para fazer a divisão da casa improvisada dentro da quadra de esportes.
A dona de casa Gessé Alves de Araújo Gomes disse que ficou desabrigada com mais 14 pessoas de sua família que moravam em uma só casa no Loteamento Mocambinho.
- Nós moramos em uma só casa e quando as águas chegaram todos ficaram desabrigados e agora estamos espalhados nessa quadra de esportes - disse Gessé Alves.
Fonte: O GLOBO/EFREM RIBEIRO

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