sexta-feira, 24 de abril de 2009

Gilberto Gil chora no Piauí e comete "gafe" no evento


EMOÇÃO: Ex-ministro se emocionou ao cantarolar a música "A rua" do piauiense Torquato Neto, com quem conviveu.

Gilberto Gil não aguentou a emoção e chorou hoje (23) em Teresina. Ao encerrar o seu discurso quando recebeu o título de cidadão teresinense, o ex-ministro cantarolou a música “A rua” de Torquato Neto e se derramou em lágrimas.

“Sem dúvida alguma não posso me referir ao Piauí e a Teresina sem falar nele: Torquato Neto. Eu tinha na época ginasial contatos com muitos piauienses, mas foi Torquato que intensificou esses laços”, afirmou Gilberto Gil, que depois informou que a canção “A rua” era especial para ele e para Torquato e por isso ficou emocionado. Mesmo com violão vermelho do lado, o cantor preferiu “cantar recitando” a música.

O cantor e compositor disse para o público no Cine Teatro – durante a solenidade – que o governador Wellington Dias (PT) lhe tocou o coração em seu discurso. Wellington Dias, que falou antes de Gil, disse que achava que o cantor “tinha nascido em Paes Landim (cidade natal do governador) pela canção Procissão. Da forma que se expressa parece que nasceu lá”, disse o governador.

Gil ressaltou que o depoimento do governador lhe emocionou e por “um minuto” ficou pensando na vida. “O que o governador se referiu me tocou, pois embora tenha nascido na Bahia, sou filho de muitas terras, e uma delas é essa aqui”, disse Gil.

GAFE
Famoso por suas saídas estratégicas, o ex-ministro mais uma vez se redimiu de uma gafe cometida na solenidade. Ao ler a ficha do cerimonial, Gil leu o nome errado do deputado Themístocles Filho, presidente da Assembléia Legislativa, que estava na mesa de honra. Ele ignorou o acento agudo e leu “Temistocles”, e alguém da platéia corrigiu brincando, pedindo para ele colocar o óculos. Ele retrucou:

“Não é problema de óculos. O problema não é esse, a letra até é que está grande e a miopia natural da alma de alguém em que a idade está chegando. E esse tropeço não tem significação. Não precisa temer o Themístocles”, disse causando risada na platéia.

Veja a música lembrada por Gilberto Gil
A Rua

Composição: Torquato Neto e Gilberto Gil

Toda rua tem seu curso


Tem seu leito de água clara


Por onde passa a memória


Lembrando histórias de um tempo


Que não acaba


De uma rua, de uma rua


Eu lembro agora


Que o tempo, ninguém mais


Ninguém mais canta


Muito embora de cirandas


(Oi, de cirandas)


E de meninos correndo


Atrás de bandas


Atrás de bandas que passavam


Como o rio Parnaíba


Rio manso


Passava no fim da rua


E molhava seus Lajedos


Onde a noite refletia


O brilho manso


O tempo claro da lua


Ê, São João, é, Pacatuba


Ê, rua do Barrocão


Ê, Parnaíba passando


Separando a minha rua


Das outras, do Maranhão


De longe pensando nela


Meu coração de menino


Bate forte como um sino


Que anuncia procissão


Ê, minha rua, meu povo


Ê, gente que mal nasceu


Das Dores, que morreu cedo


Luzia, que se perdeu


Macapreto, Zê Velhinho


Esse menino crescido


Que tem o peito ferido


Anda vivo, não morreu

Ê, Pacatuba

Meu tempo de brincar já foi-se embora

Ê, Parnaíba

Passando pela rua até agora

Agora por aqui estou com vontade

E eu volto pra matar esta saudade

Ê, São João, é, Pacatuba

Ê, rua do Barrocão.

0 comentários:

 

©2009 NICHOLLAS EDSON | Faça seu site | by NE.BARROS