O senador Mão Santa (PMDB-PI) anunciou "com tristeza" o fim do jornal Tribuna da Imprensa, do Rio de Janeiro. Ele destacou a "beleza histórica" do periódico, que "surgiu para acabar com a ditadura (de Getúlio) Vargas e enfrentou a (ditadura) militar".
Em pronunciamento nesta terça-feira (9), o parlamentar lembrou que o dono da publicação, o jornalista Hélio Fernandes, é "um patrimônio na vida jornalística", perto dos 90 anos de idade. O representante pelo estado do Piauí afirmou que o jornal "nunca se curvou a poder nenhum".
Mão Santa também lembrou o atentado sofrido pelas oficinas do jornal em 1981, durante o regime militar. De acordo com o senador, o periódico cobra, na Justiça, indenização do governo pelos danos sofridos, mas, a seu ver, o sistema judiciário tem atrasado o pagamento. Ele criticou o governador do Rio de Janeiro, o ex-senador Sérgio Cabral, de seu partido - "democrata, filho de jornalista", lembrou -, por "permitir essa ignomínia".
Em aparte, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) afirmou que faria seu discurso sobre a Tribuna de Imprensa. Pediu que fosse transcrita nos anais do Senado entrevista concedida por Hélio Fernandes ao jornal Zero Hora, na qual ele diz que, caso a Justiça atendesse a sua demanda referente à indenização, o jornal teria recursos para voltar à normalidade.
Mão Santa lembrou que o jornal, embora não mais impresso, continua a veicular notícia na Internet, e que ele próprio lê os textos todos os dias. Na presidência da sessão, o senador Geraldo Mesquita Júnior (PMDB-AC) sugeriu que Simon e Mão Santa apresentassem requerimento para realização de uma audiência pública sobre o fechamento do jornal. Para Mesquita Jr, o periódico tem "uma importância histórica".

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